Meu bisavô, Cícero Marsal, era pobre, grosso e feio. Mas devia ter algo de bom.
Casou com Dona Felizdona que era Linda, e herdeira deserdada de família abastada, só porque a danada era tinhosa, quando os pais morreram ela e os irmãos ficaram a cargo de tios, cada um foi para uma casa da família, menos ela, que com ela ninguém podia, e mandaram para um internato de moças. Ela não gostava nada, e sabia que de lá só saía casada, então tratou de casar logo com o primeiro pracinha que passou por alí flertando...não com ela, que o pracinha flertava com a amiga.
Diz minha avó, filha dela, a dos olhos azuis e do conto verídico "Inapetência" e mãe da minha mãe, que um dia ela catucou a amiga e avisou:
- Vou roubar seu namorado.
E roubou.
Cícero Marsal casou com a senhorita Felizdona, descendente de holandeses, cabelos quase loiros e olhos claros. Tocava piano e violino, e estava acostumada com conforto.
Foram morar numa casa de chão batido, da herança nunca viu tostão, nem queria. Orgulhosa, nunca reclamou nem se fez de vítima. Queria era se ver livre de quem não lhe queria a companhia.
Vendeu o violino para fazer o chão da casa.
Tiveram muitos filhos.
E às vezes, quando não tinha muito o que comer, o pracinha arrumava um bicho estranho cozinhava e servia, quando os filhos perguntavam o que era ele dizia:
"É Danglan"
De Danglan em Danglan uma vez comeram o gato da Tia Fifi. Ela nem desconfiou...até muito tempo depois.
2 comentários:
Meu Deus! Sua família dá um romance do tipo saga, sabe?
Uma novela das oito.
Amei! Haha. Danglan... coitado do gatinho...
Bjs.
Cadê as receitas de Danglan?
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